segunda-feira, 20 de julho de 2015

RODA DE CURA - JAMIE SAMS

“Pedras que demarcam o Espaço Sagrado, o elo da vida que se completou. Que venham a Águia, o Coiote, o Urso cantar com o Grande Búfalo Branco. Aqui saudamos os ventos da mudança, louvamos o Avô Sol, aqui exaltamos a integridade de tudo que unido se torna um só”.
(Jamie Sams)


Entre o Povo Nativo a Roda de Cura também costuma ser chamada de “Elo Sagrado”. Este símbolo, que engloba todos os ciclos da vida, inspirou ao Povo da América Nativa um propósito de evolução que persistiu através dos séculos. Cada ciclo de vida passou a ser honrado de forma sagrada. Esta atitude nos leva a valorizar cada passo de nosso Caminho e adquirir uma nova compreensão de nosso processo de crescimento.
Cada indivíduo e cada um de seus talentos são honrados como tesouros vivos da tribo e o mesmo ocorre com todas as lições de vida. Os membros de cada Tribo partilham sua Sabedoria, adquirida através da experiência, e toda a Nação se beneficia com as histórias que vão sendo repassadas entre os diversos bandos ou Clãs. Ao compreender a experiência única vivida por cada indivíduo, os outros membros da Tribo passa a interiorizá-la, como se fosse sua.
A Roda de Cura representa o círculo de lições pelas quais cada pessoa deve passar para poder completar a sua jornada na Boa Estrada Vermelha da Vida física. A vida física principia no instante do nascimento, que é a direção Sul no Elo Sagrado. Cada um de nós deverá viajar, através deste Círculo, do Sul para o Norte, até chegar ao lugar do Ancião, situado bem ao Norte do Círculo.
Nosso espírito é feito de Vento, que é um dos Quatro Chefes-de-Clã deste mundo. Nosso espírito viaja ao redor da borda externa da Roda de Cura, passando a enviar-nos mensagens sobre as lições que ainda precisamos aprender. O Leste é a casa da Porta Dourada e é o ponto da entrada para todos os níveis de percepção e consciência. Os espíritos dos Ancestrais que já terminaram sua caminhada pela Terra tem pelo Norte da Roda, seguindo pela borda do Elo, até o Leste. Isto permite que eles passem pela Porta Dourada e penetrem a Estrada Azul do Espírito, que atravessa a Roda, indo de Leste para Oeste. Nós também retornamos às nossas novas vidas físicas através desta Estrada Azul. Voltamos a passar pela Porta Dourada, a Leste, sob a forma de espíritos, e continuamos viajando pela borda da Roda de Cura até o Sul, onde os espíritos renascem em outros corpos físicos.

Os poderes (lições, dons e talentos) das Quatro Direções podem significar respostas imediatas, sempre que são enviados pelos Espíritos dos Ventos. Os professores Americanos Nativos Tradicionais sempre ensinam às crianças de sua Tribo a sentir o Vento para que saibam como agir quando estiverem perdidas ou estiverem com medo. Se o Vento sopra do Oeste, elas se sentam e buscam coragem e resposta em seus corações. Se o Vento viesse do Sul, elas parariam de fingir que sabem todas as respostas e encontrariam humildade seguindo talvez outra criança que soubesse o caminho de casa.Se o Vento as apanhasse num redemoinho, elas deveriam aguardar o socorro. Se viesse do Norte, as crianças saberiam que os Anciões, em sua sabedoria, sabiam onde procurar por elas. Quando o Vento viesse do Leste, elas deveriam usar o bom senso ou buscar ideias lógicas que trouxessem uma resposta para as suas necessidades.
A Roda de Cura simboliza a orientação a ser seguida em todas as situações, e pode ser utilizada sob uma infinidade de formas. Para construir uma Roda de Cura, para uso Cerimonial Sagrado, é necessário ter doze Pessoas de Pedra. A primeira é colocada no Sul, no início da vida. A Segunda e a Terceira são colocadas no Oeste e no Norte. Não se coloca uma pedra no Leste; a porta é deixada aberta. Seguindo o círculo, a quarta pedra é colocada na posição das quatro horas do relógio e a quinta nas cinco horas. O Sul é a posição das seis horas e é ocupado pela sexta pedra. As pedras preenchem cada posição vazia até que se chegue ao Leste novamente.
Antes que a Pessoa de Pedra do Leste seja posta a fechar o círculo, a Roda de Cura é abençoada. Os Espíritos das Quatro Direções são convidados a entrar no círculo através da Porta do Leste. Depois os Espíritos das outras três direções sagradas – Acima, Abaixo e Dentro – também são convidados a vir equilibrar o Elo Sagrado. Quando as Energias destas Direções tiverem entrado, dedica-se a Roda de Cura a honrar o Espaço Cerimonial Sagrado. As Pessoas de Pedra recebem agradecimentos especiais por sua função de Guardiãs, e por estarem contendo a energia do círculo. Neste momento, a Pedra do Leste é colocada em seu respectivo lugar, fechando a Porta Dourada. Depois da Cerimônia da Dedicação realizam-se comemorações e banquetes.

O Círculo de Pedra da Roda de Cura é um símbolo de Espaço Cerimonial Sagrado que vem sendo honrado por nosso povo há séculos como sendo um lugar, fechando a Porta Dourada. Depois da Cerimônia da Dedicação realiza-se comemorações e banquetes.
O Círculo de Pedra da Roda de Cura é um símbolo de Espaço Cerimonial Sagrado, que vem sendo honrado por nosso povo há séculos como sendo um lugar especial, no qual a beleza dos ciclos da vida física pode ser sentida e vivenciada. Estes ciclos de plantio, gestação, nascimento, crescimento, mudança, morte e renascimento são as lições da vida do Elo Sagrado.
Quando se começa a buscar as respostas para o Vazio onde reside o futuro, a vida torna-se extraordinária, excitante, e cheia de beleza. A percepção mundana da vida cotidiana se transforma, sempre que conseguimos parar e ficar atentos às constantes mensagens enviadas pelos Quatros Ventos da Mudança. Não importa onde estamos – por toda a parte a vida nos chama. A todo instante estamos cercados por formas de vida que procuram comunicar-se conosco, seres de Duas Pernas. Nós, os seres humanos, somos as únicas criaturas que perderam o sentido de pertencer à totalidade do Grande Mistério. Ao compreender as lições que o Elo Sagrado nos transmite, aprendemos a nos aproximar da vida de forma mais profunda e delicada. Quando esta compreensão nos atinge, descobrimos uma nova maneira de ser, de viver e de pensar.

Para poder trilhar o caminho da Roda de Cura, devemos enxergar as oportunidades de crescimento que cada nova direção nos oferece. Muitas vezes basta reparar nas coisas óbvias que estão ao nosso redor, ficando atentos aos nossos sentimentos e procurando entender o que eles significam.  Este processo representa o início de uma nova busca interna. O alinhamento com as Quatro Direções é realizado através das conexões dos Animais Totens com estas direções. Quando nos conectamos com as lições da Águia, do Coiote, do Urso e do Búfalo*, ou com suas contrapartes nestas direções, as lições nos chegam muito mais facilmente. Nós costumamos pedir as respostas que os Totens têm a nos oferecer, e damos permissão para que eles se aproximem de nós em sonhos.(...)

Em muitos escritos sobre a Tradição Nativa Americana menciona-se um Elo Sagrado rompido que volta a tornar-se inteiro. Por isso, alguns leitores se perguntaram: afinal, como foi quebrado o Elo?” Bem, na verdade o Elo jamais foi rompido. O profundo sentimento de fé que reunia  todas as Nações manteve viva a Chama Eterna em se em seus corações desde o início dos tempos. O Elo Sagrado está ficando mais forte porque os indivíduos que pertenceram ao Povo Vermelho em outras vidas estão se recordando agora  de suas raízes e estão se reencontrando, vindo por caminhos diferentes, para conseguir preservar a Mãe Terra e tornar a se ligar com os espíritos da Natureza. Quando nós, como Filhos da Terra, perdemos nosso senso de onde devemos nos encaixar na Roda de Cura da vida, também perdemos de vista o círculo unificados e nos esquecemos de viver de maneira sagrada.

Nossas Nações Nativas estão reunindo os Ensinamentos e preparando o caminho para o Quinto Mundo da Paz, retornando às cerimônias, aos rituais e utilizando a sabedoria dos Ancestrais para curar quaisquer amarguras e feridas antigas. O Espírito do Povo está voltando e a energia que emana do Arco Íris da Paz está curando nossos corações.

 "As Cartas do Caminho Sagrado", de Jamie Sams

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