quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

(XAMANISMO) ERVAS PARA BANHOS E DEFUMAÇÕES PODEROSAS


Em algumas regiões do Brasil encontramos um costume popular denominado banho de cheiro. É utilizado no período das festas juninas, em rituais e diversas épocas folclóricas e religiosas como Ascensão do Senhor, Sábado de Aleluia etc . É famoso o "Banho de 7 Ervas", o qual tem a capacidade de "fechar o corpo" contra todo o mal. As ervas envolvidas nesse preparado podem mudar de acordo com a região desse nosso grande país, mas as mais comuns são: Manjericão, Arruda, Alecrim, Malva Rosa, Malva Branca, Manjerona e Vassourinha.
As ervas sempre foram utilizadas pelo homem como fonte de cura e bem estar, afinal, são elas quem dão origem a medicamentos importantes.
A intimidade de nossos ancestrais com tais elementos era algo natural e lógico. Frutos, folhas, raízes e caules foram utilizados como alimento, remédio, para afastar insetos, neutralizar mordidas ou mesmo abreviar a morte.
Vemos tribos indígenas que ainda hoje utilizam vegetais para tratar diversos males. Em regiões altas da América Latina é comum o uso da folha da coca que, mastigada durante uma caminhada cansativa, auxilia a superar o desconforto da diferença de altitude.
A História antiga mostra mulheres "bruxas" utilizando ervas para aliviar dores, baixar febres, estancar sangramentos, proporcionar fertilidade, facilitar partos ou provocar abortos e, porque não?, restituir a juventude, a beleza física.
Flores, plantas e ervas eram utilizados em diversos templos das mais variadas seitas, em todas as partes do nosso planeta. Era uma forma de agradecimento, um simbolismo ou simplesmente decoração.
A Bíblia menciona as ofertas dos reis magos ao Cristo Menino, incenso (olíbano), mirra e ouro. A mirra e o incenso eram produtos tão valorizados quanto os metais nobres ou pedras preciosas, eram utilizados em perfumes, cosméticos e remédios, além de serem utilizados por seus atributos mágicos e religiosos.
Os egípcios empregavam a mirra no culto ao deus Sol e como ingrediente na mumificação. Suas qualidades anti-sépticas já eram conhecidas.
Gregos, romanos, babilônios, árabes, hindus e chineses, entre outros povos, utilizaram demasiadamente plantas aromáticas.
Nos dias de hoje algumas correntes esotéricas utilizam aromas de plantas para chegar a estados de meditação ou como fonte de cura, é a Aromaterapia, que compartilha de princípios da medicina herbária, homeopatia e acupuntura.
Vamos conhecer agora algumas ervas, que servem tanto para um BANHO DE PROTEÇÃO, HARMONIZAÇÃO E LIMPEZA, QUANTO PARA SEREM QUEIMADAS (SECAS) PARA UMA BOA E PODEROSA DEFUMAÇÃO.

Alecrim: Pequeno arbusto da família das Labiadas. Suas folhas são esverdeadas na parte superior e brancas na inferior. Gosta de regiões quentes. Desde a Roma antiga suas folhas estão associadas à imortalidade. Propicia a fertilidade, boa memória, vida longa e protege a região da garganta.

Alfazema: é um grande arbusto da família das Labiadas, originária da Europa, que apresenta flores azuladas. Estimula o cérebro, transmite calma, sabedoria. Indicada para problemas de reumatismo e para tonificar o couro cabeludo. Segundo alguns esotéricos essa é a planta dos anjos.

Arruda: Planta de odor muito forte e marcante. Suas pequenas folhas são de um tom verde escuro e fosco. Deve ser usada com cuidado pois pode ser tóxica. Espanta mau olhado e afugenta forças negativas.

Comigo-ninguém-pode: planta altamente tóxica. Suas folhas longas e verde escuras possuem pequenas manchas claras, "pintadas" sobre a superfície. Já eram usadas pelos índios ticunas no preparo do veneno chamado "curare". Seu uso evita que palavras sejam usadas contra quem o leva.

Guiné: o uso interno dessa planta é desaconselhado por ser muito tóxica, é inclusive abortiva. Alivia dores quando aplicada na pele sobre um ferimento ou dores de cabeça. Essa erva afasta o mal criando um "escudo" protetor ao redor de quem a utiliza como peça de adorno ou amuleto.

Hortelã: Planta de odor ativo que propicia habilidade e perspicácia. Alivia dores intestinais e hepáticas. Também é aplicada em queimaduras para aliviar a dor e restabelecer a pele.

Malva: essa planta foi usada como remédio já no séc. VIII a.C. Segundo os seguidores de Pitágoras a Malva é uma planta sagrada que liberta o espírito da escravidão das paixões. Seu uso proporciona a calma e boa saúde.

Manjericão: é uma planta de origem africana, muito utilizada em saladas por seu aroma e sabor agradáveis. É calmante, alivia problemas respiratórios e irritações da pele.

Manjerona: seu óleo é usado como antiespasmódico. Também costuma ser usada para afastar insetos. Seu uso protege contra as pragas e ventos ruins, também estimula o sono e afasta dores de cabeça.

Vassourinha: planta da família das Malváceas que pode atingir até 60cm de altura. Ajuda em problemas femininos como regularização da menstruação e equilíbrio dos hormônios. Também protege ouvidos e dentes. Dizem os místicos que essa planta "varre" para longe toda a vibração negativa.


Todos fazemos parte da mesma história, viemos do mesmo criador, então saber respeitar e ser orientado por nossos parentes (nesse caso as plantas e ervas) faz parte de um aprendizado com sabedoria.

O Tabaco e o Rapé

postando novamente e dando uma atualizada no blog.

Por Antoine Yan Monory, publicado na revista ´´Flor das Águas´´


O Tabaco é uma planta forte, considerada como uma "planta de poder" (ou relacionada com o uso de outras destas), de caráter mágica, originária das Ameríndias justamente. No nosso mundo nativo americano, o Tabaco era e é usado de várias formas, seja fumado em cachimbo ou charuto, em forma de rapé, mastigado ou ingerido (seja para vomitórios de limpeza ou para outros fins), e até em forma de enemas (uma forma de absorção anal das plantas de poder que evita transtornos estomacais e digestivos, sendo que esta forma de uso já era praticada medicinalmente pelos próprios astecas). O livro de Pierre Chaumeil nos diz : "Presente em toda cura, a fumaça do tabaco é a panacéia da medicina tradicional "Yagua".

Se utiliza aliás a nicotina para destruir a "filaria" (Filariose (ou Elefantiase) é a doença causada pelos parasitas nematódes Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e Brugia timori, que se alojam nos vasos linfáticos causando linfedema) . O suco do tabaco é bebido puro ou misturado a outras substâncias enteógenas para produzir ou modificar o transe. Assim, dentro do mundo xamânico, ele tem um lugar importante, sendo um elemento de troca e ligação com o mundo sobrenatural, e presente em toda a sessão de cura deste gênero em alguns povos, seja fumado em charuto ou cachimbo. A fumaça é considerada, de modo geral, e particularmente a de tabaco, a "via" ou caminho pelos qual os espíritos, no sentido largo, se movem ( a fumaça é associada a água, que é o caminho do povo d'agua, sendo esta o "Caminho das almas, da mesma forma, a fumaça é associada a Via Láctea e as nuvens). A fumaça do cachimbo é considerada, por muitas tribos (senão todas) e culturas primitivas como o "sustento divino" dos deuses e dos seres sobrenaturais, sendo seu alimento espiritual e essencial. É assim atribuído a mesma necessidade desta aos xamãs como a eles, tendo sido criado uma relação de interdependência entre os humanos e os seres espirituais. Nos Waraos, da Venezuela, a única planta enteógena usada pelos xamãs é o Tabaco. Eles fumam incessante quantidades para cumprir a promessa primordial feita aos deuses e como meio de comunicar-se e de viajar para outro mundo. É construído com fumaça de Tabaco as casas espirituais que eles irão morar após a morte. O Tabaco pertence a família das solanaceas, da qual pertence, por exemplo a Beladona, sendo que existe até quarenta e cinco espécies. Estes dois tipos Tabacum e Rústica, são plantas híbridas, criadas originalmente nas regiões dos Andes e espalhadas pelos dois continentes.. O último tipo é o mais forte, é o tabaco próprio dos xamãs. Seria o sagrado "Peciél" da medicina asteca, e o antigo "Petum" do Brasil. No mundo primitivo antigo era totalmente desconhecido o uso do Tabaco pelo bel prazer. Se trata de um "enervante" ritual e muito sagrado. Ao contrário das outras planntas psicodélicas pela maioria, o Tabaco tem um caráter aditivo psicológico, e até físico. O que é reconhecido pelas testemunhas indígenas, mas sendo um aliado primordial dos xamãs, e não se trata de uma adição em termos atualmente conhecidos em nossa sociedade. Ele é usado, as vezes, de forma parecida a Coca, mastigado para aliviar a fome cansaço É usado medicinalmente para também clarear as idéias e tirar a dor de cabeça. Ele é muito presente no mundo dos ayahuasqueiros, e até na própria preparação da ayahuasca (lembremos o sentido do nome, o Vinho da Alma), são consagradas ou imantadas tanto a panela como cada camada de cipó e folhas com umas baforadas de fumaça. Nos índios Huichols, no México, ele é associado ao uso do Peiote, sendo que, ao que parece, uma forma de purificação prévia. É igualmente queimado em forma de incenso como oferenda ou para defumação. E é também soprado aos quatro pontos cardeais em sessão xamânica. Lembremos do ritual do "Cachimbo da Paz", em que ele (ou outras plantas) é fumado ritualmente, passando o cachimbo de um a um, estabelecendo uma corrente harmonia e união entre os participantes. A própria preparação dos cachimbos pelos xamãs segue todo um ritual, e esta pode demorar muitos e muitos dias. É fabricado tanto pelas mulheres como pelos homens. Sabemos que o famoso xamã "Mestre Irineu" as vezes usava um charuto nas suas sessões, e devia ser especial... No mundo afro-brasileiro e na Umbanda ele é muito presente também, sendo a planta dos Pretos-Velhos, que fumam em cachimbo, enquanto os caboclos de pena preferem os charutos, isto não sendo uma regra fixa. A fumaça é usada justamente nos passes, ajudando a efetuar as limpezas fluídicas de cargas negativas. O ato de fumar, além de atuar como uma defumação, tem alguma função no próprio trabalho de incorporação da entidade, promovendo uma ligação com o plano astral (como pudemos ver anteriormente) , e facilitando o assentimento da energia espiritual no médium, além de ser um objeto de referência da entidade neste trabalho. Isto não é uma regra, e o uso do tabaco não é necessariamente condizente com a mediunidade em sí, além de ser no caso o uso restrito a alguns tipos de entidades. Na verdade podemos reparar que o Tabaco traz com ele neste trabalho uma energia mais densa de alguma forma, mas pesada e de uma forte ligação com a terra, de "pés no chão" ( e a cabeça no espaço  e assim lida adequadamente com energias mais pesadas...Lembremos da história da Helena Blavastsky, uma das fundadoras da Teosofia, que fumava cigarro para ficar em terra. Bem a planta em sí é bonita, forte, de finas flores cor de rosa contrastando com uma certa aspereza das folhas; é justamente uma planta dos Pretos-velhos, e podemos tomar um banho destas se quisermos entrar em contato com esta energia, ou para outra finalidade. Porém não podemos usar o banho das folhas na cabeça, sendo as folhas mais de descarrego, e até do povo-da-terra. É uma planta de proteção que afasta a cobra dos quintais aonde é plantada; da mesma forma que ela protege quando se anda na mata, além de repelir insetos (fumando). Agora temos que diferenciar bem o uso dessa planta em rituais, ou de um uso moderado e/ ou para algum fim mais condizente com a espiritualidade em nossa vida do uso comum que se dá no mundo com os cigarros industrializados. O cigarro é feito, podemos dizer "de cara" para viciar e alimentar vício.

´´O Espírito do Tabaco é um Grande Ancestral e muito respeitado por todas as pessoas que fazem uso dele no xamanismo´´. (Anand)


RAPÉ



O rapé tem seu uso igualmente interessante. Dentro da tradição indígena, o seu uso enquanto psicodélico ativo é feito em alguns casos, ingerindo quantidade relativamente importante graças a tubos de ossos eou madeira, sendo que uma pessoa sopra nas narinas da outra, dando um efeito poderoso. É também misturado com outras plantas, e diferentes plantas psicoativas são usadas desta maneira nas culturas primitivas. Os caboclos usam rapés para entrar na mata para se harmonizarem com os seres da floresta. Seu uso mais comum atualmente é o rapé simples, e o associado a outras plantas. Assim a receita amazônica popular contém muitos outros ingredientes como a Buchinha do Norte (sinusite), cravo, canela, cumaru-de-cheiro, copaíba, noz moscada e muitas outras. Cada um na verdade faz sua própria receita. Os ingredientes são torrados e faz-se um pó mais fino possível. Como podemos perceber o Tabaco é e sempre será um valioso instrumento de Poder e Cura para os malés que assombram os seres humanos.


´´O meu primeiro contato com o tabaco veio quando depois de ter feito um curso de Reiki Xamânico Ma´he´a adquiri um Cachimbo simples da Tribo dos Kariri Xocó. Comecei a usa-lo e quando menos percebi estava tendo um contato e um chamado muito forte para trabalhar e conhecer mais a fundo os poderes do mestre Tabaco. Hoje faço uso dele somente em rituais xamânicos porque percebi que seu uso continuo acaba afastando as nossas intenções e causando um afastamento dos espíritos aliados. Um amigo que é xamã a anos uma vez me disse que quando recebemos visitas em nossa casa devemos oferecer o cachimbo para fortificar e honrar a nossa relação, e assim eu faço as vezes, mais ainda insisto em afirmar que o uso Ritual do Cachimbo o torna um objeto mágico religioso que nos transfere poder e força quando necessitamos. Aprendi depois de muito contato e ensinamentos desse poderoso auxiliar que o seu uso deve ser com responsabilidade e dedicação constante.´´ (Anand Milan)